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O que a floresta me ensinou em 13 anos vivendo no meio do mato

  • Foto do escritor: Bela Pagliosa
    Bela Pagliosa
  • 8 de jun.
  • 2 min de leitura

Vim para o mato em busca de silêncio. Mas, durante muitos anos, encontrei ruído.


Não o ruído da floresta. Esse eu sempre amei.

O vento atravessando as árvores. A chuva no telhado. Os insetos cantando à noite.

Os pássaros anunciando a manhã. Sapos e pererecas...


O ruído que me atravessou vinha de outro lugar.

Vinha da forma como nós, humanos, ocupamos um território.

Chegamos acreditando que basta construir uma casa para viver em meio à natureza.

Mas esquecemos que viver no campo também significa aprender a conviver.

Respeitar limites.

Compreender o silêncio.


Perceber que uma construção, um refletor aceso durante toda a noite, dezenas de cães latindo ou um muro mal planejado também transformam a paisagem.

Durante anos, o silêncio que eu sonhava foi substituído por noites mal dormidas, perda de privacidade e uma sensação constante de que eu precisava defender aquilo que imaginava ter encontrado.


Foi nesse período que parei de ler.

Parei de meditar.

Parei de escrever.

O livro ficou parado.

E, junto com ele, uma parte de mim também ficou em silêncio.

Talvez essa tenha sido a lição mais difícil que a floresta me ofereceu.

Ela nunca prometeu paz.

Quem promete isso somos nós.

A floresta apenas continua sendo floresta.


Enquanto eu me irritava, ela seguia crescendo.

Enquanto eu queria respostas imediatas, ela me ensinava o tempo das árvores.

Enquanto eu esperava que o bambu fechasse a vista da vizinhança, ela me lembrava que algumas proteções crescem devagar.


Hoje percebo que o êxodo urbano não termina quando atravessamos o portão da chácara.

Ele continua todos os dias.

Na maneira como construímos.

Na forma como iluminamos nossas casas.

Na relação que escolhemos ter com nossos vizinhos.

No respeito aos animais.

No cuidado com o silêncio.

Na capacidade de ocupar um espaço sem violentar outro.


O mato não me entregou paz pronta.

Ele me ensinou a reconhecer aquilo que roubava a minha paz.


E, principalmente, me mostrou que paz também se cultiva.

Assim como uma árvore.

Assim como um jardim.

Assim como uma nova forma de viver.

 
 
 

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